Nas últimas quatro décadas, o Brasil tem representado um relevante papel na História do Calçado. O maior país da América Latina é um dos mais destacados fabricantes de manufaturados de couro, detendo o terceiro lugar no ranking dos maiores produtores mundiais, tendo ainda importante participação na fatia de calçados femininos que aliam qualidade a preços acessíveis. Os embarques para o exterior vêm crescendo anualmente, para mais de uma centena de países.
Apesar da concentração de empresas de grande porte estar localizada no estado do Rio Grande do Sul, a produção brasileira de calçados vem gradativamente sendo distribuída em outros pólos, localizados nas regiões Sudeste e Nordeste do país, com destaque para o interior do estado de São Paulo (cidades de Jaú, Franca e Birigui) e estados emergentes, como Ceará e Bahia. Há também crescimento na produção de calçados no estado de Santa Catarina (região de São João Batista), vizinho do Rio Grande do Sul e em Minas Gerais (região de Nova Serrana).
O parque calçadista brasileiro hoje contempla mais de 8 mil indústrias, que produzem aproximadamente 796 milhões de pares/ano, sendo que 189 milhões são destinados à exportação. O setor é um dos que mais gera emprego no país. Cerca de 295 mil A manufatura de calçados no Brasil, cuja atividade fabril tem tradição reconhecida, gerou ao longo do tempo uma estrutura produtiva capaz de atender o mercado doméstico e realizar uma inserção bem-sucedida no mercado internacional.
A grande variedade de fornecedores de matéria prima, máquinas e componentes, aliada à tecnologia de produtos e inovações, faz do setor calçadista brasileiro um dos mais importantes do mundo. São mais de 1500 indústrias de componentes instaladas no Brasil, mais de 400 empresas especializadas no curtimento e acabamento do couro, processando anualmente mais de 30 milhões de peles e cerca de uma centena de fábricas de máquinas e equipamentos.
O processo produtivo do calçado é discreto, sendo subdividido em fases separadas (modelagem, corte, costura, montagem e acabamento) podendo ser realizadas em estabelecimentos e locais distintos. Algumas dessas fases exigem dezenas de operações e a manufatura, embora seja passível de automação, caracteriza-se por ser de natureza intensiva em mão-de-obra, a qual não requer qualificações especiais, e em cujo processo de produção se empregam tecnologias que guardam ainda algumas marcas artesanais.
A diversificação da produção é um fator competitivo, pois a adaptação às mais diferentes coleções é muito rápida. Isto permite que o Brasil produza todos os tipos de calçados necessários para atender ao mercado interno e também às exportações.
O setor calçadista produz “contra pedido”, não há, na maioria dos casos estoque, o processo de pedido de matéria prima e produção é iniciado a partir do pedido do cliente, além disso o ciclo de vida dos produtos está cada vez mais curto, devido ao plano de desenvolvimento contínuo e a novos lançamentos. A quantidade de volumes comercializados e os prazos de entrega estão diminuindo em cada transação, sendo que as freqüências de entrega estão aumentando gradativamente. O lojista trabalha com os estoques cada vez mais reduzidos, pois o mercado demanda este modelo e a indústria repassa esta necessidade a seus fornecedores, e é por este motivo que há a necessidade da integração de toda a cadeia.
A automação torna possível a rápida adaptação às diferente coleções e a resposta mais eficiente às necessidades do consumidor final, tornando o ciclo de pedido mais curto e consequentemente reduzindo as rupturas. A GS1 Brasil coordena o grupo de trabalho do setor coureiro-calçadista, visando a padronização de modelos de negócios, códigos de barras utilizados nas unidades comerciais e logísticas e mensagens eletrônicas, ferramentas que auxiliam a automação, além de acompanhar pilotos e desenvolver guias de melhores práticas. Este grupo de trabalho é chamado de Grupo de Otimização Logística - GOL.

Parcerias
As associações parceiras da GS1 Brasil neste setor são: