EPCIS: soluções de compartilhamento de dados da GS1 Brasil
O EPCIS (Electronic Product Code Information Services, ou Serviços de Informação de Código Eletrônico de Produto) é um padrão global que permite que diferentes parceiros comerciais compartilhem dados detalhados sobre o movimento e o status de produtos ao longo de toda a cadeia de suprimentos.
Com ele, é possível obter informações precisas sobre o quê, quando, onde, por que e como os produtos e ativos se movimentam. Esse padrão é essencial para processos de rastreabilidade, pois garante transparência e disponibiliza informações confiáveis ao consumidor e a todas as partes envolvidas na cadeia.
O que é EPCIS?
O EPCIS é um padrão de mensagens de eventos de rastreabilidade que permite capturar e compartilhar o histórico completo de um produto por meio do registro de eventos ao longo da cadeia de suprimentos.
Ele responde a 5 perguntas-chave sobre cada produto ou ativo:
- O quê? Identificação do produto ou ativo envolvido no evento;
- Onde? Localização ao longo da cadeia de suprimentos;
- Quando? Momento exato em que o evento foi registrado;
- Por quê? Razões por trás do status ou da movimentação;
- Como? De que forma o evento ocorreu, incluindo o método de leitura ou captura.
Para que serve o EPCIS na cadeia de suprimentos?
O EPCIS padroniza a troca de informações sobre produtos ao longo da cadeia de suprimentos, criando uma linguagem comum entre diferentes sistemas, tanto entre empresas quanto internamente.
Com o suporte da GS1 Brasil, as empresas conseguem monitorar o status de ativos e mercadorias em tempo real, garantindo visibilidade de ponta a ponta em todas as etapas do ciclo de vida do produto, com clareza sobre o quê, onde, quando, por que e como cada evento ocorreu.
Como funciona o EPCIS?
O funcionamento do EPCIS ocorre em 3 etapas estruturadas:

as informações são coletadas por leitores, scanners ou sensores sempre que ocorre um evento com o item, como movimentação, envio ou recebimento.

os dados coletados são estruturados em eventos padronizados, gerando respostas completas para as 5 perguntas-chave do padrão.

os eventos ficam armazenados em repositórios que podem ser acessados por parceiros autorizados, facilitando a interoperabilidade entre empresas e sistemas.
Tipos de eventos no padrão EPCIS
Os eventos são as unidades de informação que organizam o histórico do produto dentro do EPCIS. Eles são classificados em 4 categorias:
ObjectEvent: rastreando produtos individuais
Um ObjectEvent registra a observação de um ou mais objetos físicos ou digitais em um determinado momento, capturando informações sobre seu status ou movimentação ao longo da cadeia.
AggregationEvent: organizando produtos em contêineres
O AggregationEvent registra quando itens individuais são associados a uma unidade maior, como caixas agrupadas em um palete ou contêiner. Isso permite que o conjunto seja movimentado e rastreado como uma única unidade logística.
TransactionEvent: documentando transferências comerciais
O TransactionEvent registra a associação ou desassociação entre objetos e transações comerciais, conectando os itens a processos como pedidos de compra ou faturamento.
TransformationEvent: registrando mudanças no produto
O TransformationEvent registra quando insumos são transformados em novos produtos durante o processo produtivo. Ele permite compreender como matérias-primas ou componentes deram origem ao produto final, mantendo a rastreabilidade mesmo após transformações.
Core Business Vocabulary: vocabulário comum de negócios
O CBV (Core Business Vocabulary, ou Vocabulário Central de Negócios) é um padrão complementar ao EPCIS que fornece definições padronizadas para os valores de dados utilizados nas mensagens, sendo fundamental para consultas e integrações entre sistemas.
Entre os principais benefícios do CBV:
- facilita a interoperabilidade entre parceiros comerciais de diferentes setores;
- garante a consistência e a interpretação uniforme dos dados compartilhados.
Componentes adicionais do padrão EPCIS
Existem componentes adicionais que apoiam a organização, o compartilhamento e a interpretação das informações no ecossistema EPCIS:
| TDT (EPC Tag Data Translation, ou Tradução de Dados de Etiqueta EPC) | ALE (Application Level Events, ou Eventos em Nível de Aplicação) |
|---|---|
padrão que traduz dados do EPC (Código Eletrônico de Produto) para formatos legíveis por diferentes sistemas. Permite a validação e a tradução entre diferentes níveis de representação, sendo fundamental para a integração em sistemas de rastreamento automatizados. | especifica como obter dados EPC filtrados e consolidados a partir de múltiplas fontes. É ideal para integrar diversas origens de informações de produtos em um único sistema de gestão. |
Para mais detalhes técnicos, acesse a página oficial GS1 EPCglobal.
Como implementar o EPCIS na prática
Veja como estruturar a implementação do EPCIS em 6 passos práticos:
como o GTIN (Global Trade Item Number, Número Global de Item Comercial, para produtos) e o GLN (Global Location Number, Número Global de Localização, para locais ou empresas);
defina quais eventos da operação serão registrados, como movimentação, agregação ou transformação de produtos;
utilize equipamentos que registram automaticamente os eventos, como leitores de código de barras ou de RFID (Radio Frequency Identification, Identificação por Radiofrequência), garantindo captura de dados em tempo real;
escolha um software ou plataforma que implemente o padrão EPCIS para armazenar e estruturar os eventos registrados;
utilize o Core Business Vocabulary para padronizar os valores e o significado das informações dentro das estruturas de dados do EPCIS;
permita o acesso aos eventos para parceiros autorizados, garantindo interoperabilidade em toda a cadeia de suprimentos.
Casos de uso do EPCIS em diferentes setores
O EPCIS está inserido em um ecossistema maior de padrões GS1, com aplicações que vão desde produtos de alto consumo e logística até segmentos específicos como saúde, defesa e aeroespacial. Confira alguns exemplos práticos de empresas que já colhem os resultados dessa padronização:

A Itaueira Agropecuária, empresa familiar fundada em 17 de outubro de 1983 e produtora do melão REI, desenvolveu um sofisticado sistema de rastreabilidade que opera no nível de palete, caixa e fruta individual.
A empresa é uma das pioneiras no uso do código EAN-13 em todos os melões produzidos. Em 2011, recebeu o Prêmio Automação na categoria Rastreabilidade pelo desenvolvimento de um sistema que se tornou referência para produtores de frutas no Brasil.
Moda: Lupo
A Lupo, fundada em 1921, foi premiada na categoria Controle de Ativos com EPC/RFID. O projeto de implantação da tecnologia RFID no processo produtivo foi estruturado em 3 etapas: controle de ativos, identificação de embalagens coletivas e identificação do produto unitário.
A implementação permitiu identificar caixas com RFID, automatizar a leitura e o controle dentro da produção, eliminar processos manuais e aumentar a eficiência operacional de forma significativa.

Saúde: Hospital Sírio-Libanês
O Hospital Sírio-Libanês recebeu o Prêmio Automação 2019 pelo projeto de remodelagem dos processos de controle de medicamentos. A iniciativa utilizou os códigos GS1 DataMatrix e GS1-128 para a gestão e a rastreabilidade de medicamentos em embalagens primária e secundária, além de produtos com lote e validade.
O projeto abrangeu processos de recebimento, etiquetagem, farmácia e unidades de internação, resultando em maior rastreabilidade, controle mais preciso de medicamentos e mais segurança para os pacientes.

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