Uma visão contínua sobre o que está movimentando o mercado, as cadeias produtivas e o ambiente de negócios.
Em um mercado cada vez mais dinâmico e orientado por informação, reunimos dados de diferentes fontes para conectar informações e dar clareza aos sinais que explicam os movimentos do mercado. Mais do que acompanhar o que acontece, buscamos entender o que impulsiona essas mudanças e o que elas indicam para o futuro. Aqui você encontra conteúdos que traduzem esse cenário em tendências, iniciativas e impactos reais para a tomada de decisão das empresas.
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Utilizamos códigos de barras nos produtos no Brasil há mais de 40 anos e, mesmo atravessando décadas, essa tecnologia continua sendo uma inovação para a indústria. Ao longo dos anos, esse código vem assumindo diferentes papéis, desde o mais comum em nosso dia a dia, que é a leitura no caixa para o pagamento das nossas compras, até uma importante fonte de informação para desempenho e rastreabilidade.
A Pesquisa de Tendências realizada pela GS1 Brasil apontou que 76% dos produtos vendidos no Brasil possuem código de barras. Mas será que isso é suficiente? Ainda temos 24% das empresas nacionais comercializando produtos sem código de barras. Como isso pode acontecer? A resposta é simples: a automação ainda não chegou a todos. E, agora, com o avanço da Inteligência Artificial, a tendência é que esse número cresça exponencialmente.
Enquanto ainda existe essa lacuna em alguns cenários, 68% das empresas já contam com processos de rastreabilidade de produtos, em diferentes níveis de maturidade, mas com estratégias definidas para essa finalidade.
Na era da informação, quem não padroniza suas bases de dados nem as utiliza de forma estratégica está em desvantagem competitiva. Na mesma pesquisa, 85% das empresas afirmaram utilizar dados com frequência em suas operações e decisões.
Portanto, o mercado tem "sede" de informação qualificada e do uso estratégico de dados. Ao mesmo tempo, ainda precisamos apoiar uma parcela importante da estrutura produtiva nacional na adoção da automação. As oportunidades de evolução são claras. As empresas que já possuem uma estrutura consolidada podem avançar em rastreabilidade e eficiência operacional. Já aquelas que estão iniciando essa jornada podem obter ganhos em eficiência desde o início, com a simples adoção do código de barras ou, ainda, o novo QR code padrão GS1, trazendo ainda mais possibilidades.
Convido você a acessar o estudo completo e aprofundar sua visão sobre os movimentos que vêm transformando os setores produtivos e fortalecendo a conexão entre empresas, governo e sociedade.
Por Marina Thaís F. Pereira
Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento e Produtos GS1 Brasil

Há mais de 40 anos, a GS1 Brasil Associação Brasileira de Automação atua no mercado facilitando a comercialização de produtos no varejo e fortalecendo a eficiência das cadeias de abastecimento. Somos amplamente reconhecidos pelo código de barras, cuja numeração corresponde à identificação única dos produtos por meio do GTIN (Global Trade Item Number).
Em 2019, a GS1 Brasil reformulou sua principal ferramenta de gestão de códigos voltada aos seus associados, o Cadastro Nacional de Produtos. Com uma nova arquitetura tecnológica e infraestrutura mais robusta, esse movimento marcou o início da sua jornada de Transformação Digital.
Desde então, construímos uma base de informações com mais de 95 milhões de produtos cadastrados, que representam os gêmeos digitais dos itens comercializados e consumidos diariamente no país. A partir desse patrimônio de dados, alimentado diretamente pelos donos de marcas, identificamos uma oportunidade única para transformar informação em inteligência de mercado, dando origem ao Índice de Diversificação de Portfólio de Produtos.
Um indicador econômico mensal que acompanha, de forma antecedente e contínua, a dinâmica de renovação e diversificação dos portfólios da indústria de transformação brasileira. Trata-se de uma leitura inédita da atividade industrial, capaz de capturar, em tempo quase real, os movimentos de registro de produtos e expansão de portfólio realizados diretamente pelas empresas. A movimentação observada reflete decisões concretas de mercado relacionadas à inovação, ao desenvolvimento e ao potencial lançamento de novos produtos.
De forma simplificada, o indicador permite compreender o quanto as empresas estão renovando seus portfólios e qual a intensidade desse movimento. Para isso, o índice é composto por um resultado geral e por dois componentes complementares: Fabricantes e Mercadorias. Enquanto Fabricantes mede a abrangência e a capilaridade da renovação de portfólio entre as empresas, Mercadorias reflete a intensidade da diversificação por meio do volume de novos itens registrados.
Essa metodologia permite identificar não apenas se a renovação está acontecendo, mas também como ela está se distribuindo entre as indústrias. Em agosto, por exemplo, observou-se uma movimentação distinta entre os componentes do índice. O componente Mercadorias recuou 4,7% na série dessazonalizada, sinalizando menor intensidade nos registros de novos itens comerciais. Em contrapartida, o componente Fabricantes manteve-se praticamente estável, com alta de 0,3%, registrando o melhor resultado para um mês de agosto desde o início da série histórica.
O comportamento evidencia que a renovação de portfólio permaneceu amplamente disseminada entre as empresas, mesmo diante de um ritmo mais moderado de cadastramento de produtos. Em outras palavras, a capilaridade da renovação foi mantida, indicando que um número expressivo de fabricantes continuou investindo na atualização de seus portfólios, ainda que a intensidade dos registros tenha apresentado acomodação frente ao mês anterior. O cenário permanece compatível com uma estratégia contínua de renovação pelas indústrias brasileiras, sustentada por uma base ampla de empresas engajadas no desenvolvimento de produtos.
Um dos principais diferenciais do Índice de Diversificação de Portfólio de Produtos é a análise semântica dos registros realizados pelas empresas. Essa abordagem amplia a compreensão dos resultados ao identificar não apenas o aumento dos cadastros, mas também os direcionamentos estratégicos presentes na renovação dos portfólios industriais.
Em agosto, por exemplo, o setor de alimentos apresentou destaque para registros relacionados à categoria de iogurtes, enquanto o setor de bebidas registrou maior incidência de produtos associados ao termo “maçã”. Esses movimentos ajudam a revelar tendências emergentes, preferências do mercado e iniciativas das indústrias para acompanhar as transformações do comportamento do consumidor.
Mensalmente, a GS1 Brasil publica essa análise com o objetivo de oferecer ao mercado uma visão antecipada da movimentação da indústria brasileira. O indicador permite que empresas acompanhem a evolução de seus setores, monitorem tendências e compreendam como os portfólios estão sendo renovados para atender às novas demandas de consumo. Ao mesmo tempo, possibilita avaliar o alinhamento das estratégias de inovação em relação às transformações observadas no cenário nacional.
Com este novo indicador, a GS1 Brasil dá mais um passo na geração de inteligência baseada no ciclo de vida dos produtos. O Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial retrata uma etapa anterior desse processo, quando os associados solicitam a numeração para identificação dos produtos. Já o Índice de Diversificação de Portfólio de Produtos acompanha o momento seguinte, quando esses produtos ganham identidade e passam a compor efetivamente os portfólios das empresas.
Dessa forma, a associação amplia sua capacidade de acompanhar os movimentos da indústria brasileira, oferecendo indicadores que permitem compreender, em diferentes etapas, a dinâmica de criação, desenvolvimento e renovação de portfólios. Mais do que identificar tendências, a GS1 Brasil transforma dados em conhecimento estratégico para apoiar empresas, setores e mercados em seus processos de inovação.


