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30/05/2014

Além dos limites da passarela

​Ditar tendências e quebrar tabus são atribuições da indústria da moda. Diante disso, as passarelas começam a abrir espaço para um novo segmento: o das pessoas com deficiência. Em fevereiro deste ano, pela primeira vez, as passarelas da Semana de Moda de Nova York (NYFW), receberam uma modelo cadeirante. Danielle Sheypuk ganhou os holofotes ao integrar o desfile da estilista Carrie Hammer. O diretor criativo da Diesel, Nicola Formichetti, escalou para o casting, a blogueira e modelo norte-americana Jillian Mercado, que também é cadeirante. 

 
No Brasil, também ganha espaço a moda inclusiva, que propõe inserir tipos de corpos que a indústria atual não contempla com algumas funcionalidades para facilitar o cotidiano da pessoa com deficiência. 
 
Oficialmente, tudo começou com a criação, em 2008, da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoas com Deficiência (SEDPCD-SP), que instituiu a missão de garantir o acesso dessas pessoas no Estado de São Paulo “a todos bens, produtos e serviços existentes na sociedade”, como consta na lei complementar número 1.038, de 6 de março de 2008. Sob a coordenação da secretaria surgiu, em 2009, o 1º Concurso de Moda Inclusiva, que atualmente está em sua sexta edição com desfile final previsto para agosto, na capital paulista. “Os concursos estimularam jovens designers a exercer a criatividade num campo inédito, instigante e necessário. Muitos passaram a defender teses nas universidades a respeito, a especializar-se no assunto e, dessa forma, começaram a fomentar essa temática no mercado”, afirma a coordenadora do concurso, Daniela Auler.
 
 
Outra ação para estimular esse segmento é o Fórum Internacional de Moda Inclusiva e Sustentabilidade, criado em 2012, cujo objetivo é reunir especialistas, empresários, estilistas, professores e estudantes de escolas brasileiras e estrangeiras de design e de diversas áreas para discutir tendências, debater novas ideias e trocar experiências no âmbito da moda inclusiva e mercado têxtil.
 
 
Magazines
 
“O desenvolvimento do mercado ainda está num processo lento, mas para um segmento que há alguns anos não existia, é uma conquista já contar com algumas marcas direcionadas para esse público. Mas é só o começo. Nosso objetivo é que a moda inclusiva seja encontrada no mercado como um todo, tanto em lojas especializadas como em magazines”, diz Daniela.
 
 
E é, justamente, ver suas peças confeccionadas especialmente para pessoas com deficiências expostas em grandes magazines do País, o sonho de Leny Pereira, professora de tecnologia em gestão de moda do Senai Cianorte (PR) e pesquisadora na área de moda inclusiva desde 2006.
 
As roupas, confeccionadas com recursos próprios, são variadas e incluem desde peças casuais até ternos e vestidos de noiva. Ela estima ter feito mais de 100 modelos. “Já fiz alguns contatos com confecções da minha região. Gostaria muito de ver minhas peças em grandes redes varejistas, em provadores adaptados e a preços acessíveis. Isso é possível uma vez que o que encarece não é a execução, mas a pesquisa de modelagem, pois no Brasil não há um biótipo padrão. Há um grande nicho a ser explorado. Essas pessoas representam uma parcela expressiva da sociedade e já fazem parte do mercado de trabalho”.
 
De acordo com o censo demográfico de 2010, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45,6 milhões de brasileiros declararam possuir pelo menos uma das deficiências investigadas na pesquisa: mental, motora, visual e auditiva, o que representa 23,9% da população.
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Por Giseli Cabrini

Segundo o estilista e pesquisador sobre moda para pessoas com deficiência visual, Geraldo Lima, o fato de esse público participar da população economicamente ativa colabora para diminuir o preconceito e fomentar a expansão da moda inclusiva. Lima chegou a produzir e a comercializar peças e acessórios para esse público, sob a marca Urânio, quando possuía uma loja na Galeria Ouro Fino, em São Paulo, que funcionou até 2010. Atualmente, ele desenvolve o trabalho na área acadêmica, no qual a relação dos deficientes visuais com a moda é o foco principal de suas pesquisas. Recentemente, abriu um novo espaço, a Casa 3 que, em março, iniciou a primeira turma do curso “Com que roupa eu vou? Sentir e vestir a moda” para deficientes visuais.