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16/01/2015

Códigos de barras auxiliam microempresas

A abertura de uma microempresa traz uma série de desafios aos empreendedores. Quem aposta no negócio próprio tem uma série de passos a seguir, como definir o ramo de atuação, garantir um espaço físico, buscar viabilidade financeira e superar as etapas burocráticas de regularização.

Em meio a todo esse processo, algumas etapas necessárias podem acabar ficando para trás. Um exemplo é a obtenção de códigos de barras. O uso das numerações ainda não costuma ser prioridade para os empreendedores. No entanto, sem elas, ganhar escala e controlar de estoque tornar-se uma tarefa muito difícil.

Foi o que percebeu, no fim de 2013, a cervejaria Irmãos Ferraro, de Porto Alegre. A fabricação de cervejas artesanais por parte dos sócios já vinha desde 2009, elaboradas de forma caseira e sem cunho comercial, conta um dos proprietários, Rodrigo Ferraro. Três anos depois, quando resolveram apostar na abertura de um negócio com escala industrial, obtiveram todos os registros e autorizações necessárias, e iniciaram a comercialização das bebidas direto nos pontos de venda, como bares e restaurantes.

Com o passar dos meses, porém, a procura pelos produtos cresceu, inclusive com a parceria com distribuidoras que passaram a vendê-los em Santa Catarina e Rio de Janeiro. “Nisso, essas distribuidoras começaram a solicitar que tivéssemos os códigos de barras, porque estavam colocando nossas cervejas em redes de supermercado, e, sem os códigos, essas redes não aceitam os produtos”, comenta Ferraro a respeito do motivo principal que levou a empresa a adotar as numerações, ainda que já houvessem solicitações anteriores por parte de clientes mais antigos.

“No início, até conseguirmos fazer um lote de rótulos já com os códigos de barras, começamos a imprimi-los em etiquetas e colar nas garrafas”, relembra o empresário. Com o aumento das vendas, justificado por uma série de fatores, entre elas o alcance às redes de supermercados, a Irmãos Ferraro já expandiu a sua fábrica e sua produção nos últimos meses, atingindo 15 mil litros por mês, divididos em cerca de 40 produtos com códigos distintos e entregues ainda em São Paulo, Bahia e Rio Grande do Norte.

Pérola da Terra investiu em códigos desde sua fundação

A empresa de produtos orgânicos Pérola da Terra, de Antônio Prado, providenciou as numerações para sua produção desde o início de sua trajetória, há quatro anos. “Foi uma iniciativa nossa mesmo. Sabíamos que o comércio, com o tempo, iria exigir isso, então buscamos fazer certinho desde o começo”, conta a proprietária, Jocelei Forlin. A decisão, motivada pelo mesmo objetivo de atingir redes varejistas de maior tamanho, foi impulsionada, segundo Jocelei, pela história dos sócios, que já forneciam alimentos orgânicos há duas décadas para cooperativas e sabiam da importância dos códigos.

Quando iniciou a produção própria, eram 27 os itens comercializados pela Pérola da Terra, entre sucos, néctares, doces e molhos, todos derivados de alimentos cultivados pela própria empresa ou por agricultores credenciados. A carteira, porém, de 150 mil unidades por ano, aumentará em 2015, com a introdução de produtos sem açúcar nos mercados do Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul, onde a empresa atua, principalmente, em lojas de produtos naturais e redes de supermercado. “Sem os códigos de barras, que são uma exigência, com certeza não conseguiríamos vender para essas redes”, atesta Jocelei.

Numerações facilitam monitorar estoque e rastrear produtos

Além da entrada no varejo e, também, da possibilidade de exportação, já que os números são únicos e padronizados em todo o mundo, outra alternativa trazida pela utilização dos códigos é o controle de estoque. “Quando você já não consegue mais controlar visualmente, quando há muitos itens, você automatiza o processo e elimina os erros de digitação”, comenta o consultor de empresas credenciado do Sebrae, Antonio Kossmann Miozzo.

O consultor argumenta que o processo pode servir tanto para a indústria quanto o comércio. No primeiro, é possível mapear as etapas de fabricação e controlar a localização de cada componente, por exemplo, além de controlar onde está o pedido de cada comprador, procedimentos que podem ser monitorados por etiquetas próprias. Já no varejo, como nas redes de supermercado, apenas o ato de passar o código de barras do produto no caixa já ocasiona a baixa do item no estoque, além de possibilitar a verificação do que está em falta na hora de fazer as encomendas para as indústrias.

“Conseguimos, por exemplo, cadastrar os barris que saem para entrega, onde já é feita a codificação para saber, depois, onde ele está. Não sabemos o lote, claro, que é visual, pois o código dá só o tipo de produto, mas sabemos, por exemplo, quantos itens estão em cada destino”, comenta Rodrigo Ferraro, que realiza a rastreabilidade de sua produção com a ajuda de um software específico para cervejarias. Em 2014, a Irmãos Ferraro recebeu o Prêmio Automação, concedido pela GS1, por seu desempenho em automação empreendedora.

Prefixos devem ser obtidos por meio de cadastro em associação

Para obterem os códigos de barras para seus produtos, tanto a Irmãos Ferraro quanto a Pérola da Terra seguiram o procedimento recomendado: preencheram um cadastro com seus dados e associaram-se à GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação, entidade sem fins lucrativos responsável por atribuir e controlar os conhecidos códigos de 13 dígitos em 150 países, entre eles o Brasil, cujos códigos começam com 789 ou 790.

“Não se compra o código, na verdade o que é atribuído é uma licença, e a GS1 tem o controle de que aquele número é só daquela empresa no mundo inteiro”, explica a assessora de marketing e relações institucionais da entidade, Karina Rocha. Ao se associar, o produtor recebe um prefixo, com casas livres conforme o número de itens distintos produzidos por sua empresa, para que ele mesmo gere o código para cada um deles. Além disso, a GS1 o ensina a fazer esse processo por meio de uma ferramenta eletrônica, presta consultoria para que o código fique perfeito para a leitura, e oferece cursos, eventos e palestras, entre outros serviços.

O pagamento, conta Karina, é feito em forma de anuidade da associação, escalonado de acordo com o faturamento anual da empresa. A primeira faixa, que vai de zero a R$ 300 mil por ano, na qual se encontra grande parte das microempresas, tem anuidade de R$ 272,00, por exemplo, independentemente do número de códigos demandados pela empresa.

Um dos problemas encontrados é que, talvez pelo desconhecimento, muitos empresários podem acabar sendo enganados ao procurarem informações sobre a obtenção dos códigos. “Hoje, você entra na internet e há 200 páginas oferecendo os códigos. Acabamos quase entrando nessa, que seria pelo menos 20 vezes o preço real”, comenta Rodrigo Ferraro.