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24/11/2014

Ceitec conquista marca histórica e mira o exterior

A Ceitec, que atua no segmento de semicondutores desenvolvendo soluções para identificação automática (RFID e smartcards) e para aplicações específicas, alcançou, em outubro, a produção de 10 milhões de unidades do chip CTC13001. É um produto genérico para a área de logística, que poderá ser usado desde os processos produtivos de impressoras e cartuchos como para a identificação e rastreabilidade de bagagens aéreas.

Segundo o presidente da empresa, Marcelo Lubaszewski, esse é um marco para o Brasil, já que é um produto com propriedade intelectual nacional e cuja produção está sendo feita quase 100% na fábrica da Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. “Em pouco mais de um ano, desde a chegada desse chip ao mercado, alcançamos uma produção em um patamar compatível com a indústria global de semicondutores”, relata.
Esses 10 milhões foram produzidos para um conjunto de clientes — especialmente fabricantes de cartuchos, impressoras e toners — que aderiram ao Processo Produtivo Básico (PPB), que prevê benefícios para as empresas que utilizarem tecnologia nacional.

Para 2015, a meta é entregar 20 milhões destes chips e atingir esses mesmos clientes e também as companhias que estão começando a oferecer produtos voltados para a internet das coisas, conceito que prevê que os mais diversos equipamentos passem a estar conectados à internet, de geladeiras a máquinas industriais.

Aliás, Lubaszewski acredita que essa tendência do mercado representa uma enorme oportunidade para alavancar a indústria de base do Brasil capaz de fornecer soluções para essa área. Isso inclui as áreas de software, hardware, semicondutores, integração de sistemas e desenvolvimento. “Estamos chegando praticamente ao mesmo tempo que todas as outras empresas. As barreiras comerciais não estão tão enrijecidas, e a nossa indústria pode pegar essa onda”, prevê. A criação de soluções para a internet das coisas não exige muita complexidade, o que gera essa oportunidade para os novos entrantes. 

O bom momento da Ceitec se deve também à implantação recente da etapa final da fabricação de circuitos integrados. O back-end, como é chamado, contempla as atividades de teste, afinamento e corte de wafers e foi fundamental para a empresa atingir esse volume de produção.
O acréscimo desta etapa de produção na fábrica de Porto Alegre possibilitou uma redução de custos e fez com que a empresa conseguisse responder com mais agilidade às demandas do mercado, viabilizando economicamente a entrada do chip de logística no mercado nacional.

Além disso, uma das missões da Ceitec, que é uma companhia pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é ajudar a desenvolver o ecossistema de semicondutores no Brasil. Então, ao internalizar também essa etapa da operação fabril, vai poder atender com esse tipo de serviço outras design houses.

Para 2015, a previsão é de continuar preparando a operação para o crescimento. A perspectiva é investir R$ 20 milhões, especialmente na compra de equipamentos. Outro tema que está cada vez mais presente no dia a dia da operação é a internacionalização. “Estamos trabalhando para tornar os nossos produtos cada vez mais competitivos em termos de preços para conseguirmos entrar em mercados globais”, diz o presidente da Ceitec.

Os países vizinhos ao Brasil serão os primeiros a serem prospectados, mas, desde já, a empresa está de olho também na América do Norte e Europa. No ano que vem, a Ceitec vai participar de uma das mais importantes feiras voltada para o mercado de RFID, que acontece em San Diego, nos Estados Unidos. “Vamos com toda força para disputar esse mercado”, acrescenta Lubaszewski.


Por Patricia Knebel

Fonte: Jornal do Comércio