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26/08/2014

Técnicas inovadoras

O Brasil está se transformando em uma referência mundial da construção sustentável. Várias iniciativas voltadas para a solução de problemas crônicos nas grandes cidades apontam para a consolidação de um novo paradigma na área. As edificações verdes já representam 9% do Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil e crescem 30% ao ano, segundo estudo da consultoria EY. Esse mercado de R$ 13 bilhões tem levado ao cotidiano alguns temas da ordem do dia, como eficiência energética, uso racional da água, técnicas construtivas inovadoras e novos materiais que favorecem o conforto e o bem-estar.

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De amanhã a quinta-feira, em São Paulo, 7 mil visitantes e 800 congressistas terão a oportunidade de conhecer melhor esse cenário na Expo Arquitetura Sustentável - Feira Internacional de Construção, Reforma, Paisagismo e Decoração, que se realiza no Expo Center Norte. O evento, promovido pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, se propõe a apresentar a engenheiros, arquitetos, investidores e outros tomadores de decisão o que existe de mais avançado na área. Além da exposição de produtos e serviços de cem marcas, constam da programação painéis com 80 palestrantes.

É uma boa oportunidade para se informar sobre modelos de certificações reconhecidas internacionalmente, como a Aqua-HQE, adaptada para o Brasil a partir de uma norma da França; a BREEAM, do Reino Unido, a DGBN, da Alemanha, a japonesa CASBEE e a americana LEED. No fim de julho o Brasil ultrapassou os Emirados Árabes Unidos no ranking de empreendimentos que buscam a LEED e agora ocupa a terceira posição, atrás dos EUA e da China. Presente em 153 países, o selo é concedido pelo Green Building Council (GBC).

"Planejar antes de projetar e construir é uma das exigências do Aqua-HQE", diz o diretor executivo da certificação de origem francesa, Manuel Carlos Reis Martins. Lançada em 2008 pela Fundação Vanzolini, ela já certificou 305 edificações no Brasil, especialmente em prédios corporativos. A Fundação está realizando uma experiência-piloto de treinamento com corretores de imóveis para que apresentem as características desustentabilidade dos empreendimentos aos investidores.

"Eficiência e racionalidade são questões primordiais a atacar", avalia o engenheiro civil Marcelo Takaoka, membro do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS). Ele ressalta a importância da adoção de soluções sustentáveis na esfera urbana, que consome dois terços da energia mundial e ocupa só 3% da superfície terrestre. "Temos uma boa oportunidade de enfrentar as mudanças do clima no planeta trabalhando nas cidades", diz. "É possível reduzir o consumo de energia em 30% com tecnologias já existentes, o que representaria uma economia anual de US$ 1,6 trilhão no mundo".

Takaoka faz outro cálculo considerando os R$ 100 bilhões financiados em 2013 para aconstrução civil: "Se poupássemos 5% com eficiência e racionalidade, poderíamos ter uma economia de R$ 5 bilhões para o país".

Ele lembra que a visibilidade da medição do consumo energético por meio de tecnologias como a smart grid é fundamental para a educação: "Se as pessoas não conseguem ver o quanto estão consumindo, não fazem ação nenhuma para melhorar".

Para Adriana Levisky, vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), a adesão progressiva aos processos de certificação sinaliza mais sensibilidade do mercado ao tema, mas ainda é acanhada. "Não se pode falar desustentabilidade olhando só para as questões ambientais", afirma. "É preciso haver uma ação abrangente sobre os aspectos sociais, econômicos e culturais, de forma integrada, com planejamento contínuo e ajustes ao longo do tempo."

Ela menciona o déficit habitacional do país, que demanda ações urgentes de regularização fundiária, habitação social e recuperação de espaços degradados. Levisky acredita que o momento abre muitas oportunidades para a construção civil, em especial em grandes programas, como o Minha Casa Minha Vida. "Por exemplo, há espaço para atuação em rede quanto à normatização de materiais, que pode agregar valor não só do ponto de vista energético, como com requalificação do processo produtivo."

"Tudo começa pela consciência da finitude dos recursos", reflete Benedito Abbud, reconhecido em 2013 com o prêmio Greening, do GBC Brasil, pela maestria no uso sustentável da arquitetura paisagística. "A cidade não é feita só de edificações, por isso são importantes os espaços de fruição onde as pessoas se encontram, namoram e trabalham." Para Abbud, o novo Plano Diretor de São Paulo é avançado em pontos como a previsão dos pocket parks (miniparques), que inclusive podem ser áreas privadas, e dos parklets, alargamentos de calçadas utilizando duas vagas de automóvel.

A tendência de crescimento das construções ecologicamente corretas depende de políticas do governo federal, cujas compras públicas compõem 19% do PIB brasileiro. Um avanço foi o decreto presidencial 7.746/2012, que definiu a sustentabilidade como critério técnico para compras e contratos de construção.

Outra medida relevante é a instrução normativa do Ministério do Planejamento, em vigor desde 4 de agosto, que tornou obrigatória a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia com classificação A (mais econômico) para edificações públicas federais.

Roberto Lamberts, professor do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é um dos criadores da etiqueta e lembra que ela é de adesão voluntária para as demais edificações. "A consciência está melhorando, mas ainda há muita compra de indulgências", comenta. "As pessoas querem o selinho para mostrar que estão mais sustentáveis, mas não tenho visto muitas mudanças radicais." Na sua avaliação, como o clima do Brasil é relativamente ameno, seria possível avançar bastante no uso da ventilação natural e híbrida, assim como no incentivo à microgeração.

A sensibilização das construtoras para o uso de madeira certificada é uma das prioridades da FSC (Forest Stewarddship Council), organização que promove o manejo florestalresponsável em mais de 70 países.

No dia 29, a FSC Brasil lança um livro sobre o cenário brasileiro na área. Em 2012 foram utilizados no país 37,1 milhões de m³ de madeira de reflorestamento certificada - 14% a mais que no ano anterior - e 340 mil m³ de madeira nativa certificada - uma queda de 38%, por causa da instabilidade da demanda e da dificuldade de obtenção de documentos para exploração e comercialização. "A madeira extraída pelo manejo responsável preserva a floresta por meio de sua valoração econômica", diz a diretora executiva Fabíola Zerbini.

Ela cita uma das vantagens comparativas do material: "Enquanto um metro cúbico de concreto emite 140 quilos de carbono, o mesmo volume de madeira absorve 900 quilos."

O alumínio também estará em evidência na feira. "É resistente à corrosão, tem alta durabilidade, bom isolamento térmico, baixa pegada de carbono e densidade um terço menor que o aço", diz Fernando Wongtschowski, gerente de marketing da Novelis, maior recicladora de alumínio do mundo.