Reflexões sobre inovação, padrões e o futuro das cadeias produtivas, sob a perspectiva da liderança da GS1 Brasil.
A transformação das cadeias produtivas exige decisões cada vez mais rápidas, precisas e orientadas por dados. Neste espaço, reunimos análises e perspectivas da liderança da GS1 Brasil sobre os principais movimentos que impactam o mercado, conectando inovação, padrões globais e inteligência de negócios.
Virginia Vaamonde é CEO da GS1 Brasil desde 2014 e atua para impulsionar negócios e a economia por meio de padrões globais, tecnologia e inteligência de dados. Está na organização desde 1997 e liderou áreas como negócios, marketing, relações institucionais, sustentabilidade, inteligência e educação. Integra boards globais da GS1 e contribui para decisões internacionais em compliance e estratégia. Sua liderança fortalece soluções de identificação e rastreabilidade que aumentam a eficiência e a competitividade nas cadeias de valor.

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Assista à visão da liderança da GS1 Brasil sobre como os códigos e padrões estão impulsionando eficiência, rastreabilidade e inovação nas cadeias produtivas.
Há algum tempo a transformação digital deixou de ser apenas uma agenda de inovação para se tornar uma condição de competitividade. E isso se repete com frequência nas conversas que tenho com empresas, associações e especialistas de diferentes mercados, tanto no Brasil quanto no exterior. A capacidade de conectar o mundo físico ao digital de forma inteligente é um dos maiores desafios que estamos vivenciando no mundo corporativo. E neste cenário, o conceito de gêmeo digital ganha uma alta relevância estratégica.
Mais do que uma representação virtual, o gêmeo digital pode carregar toda trajetória do produto ao longo de toda a cadeia de valor. O produto deixa de ser apenas um item físico e passa a contar com uma identidade digital capaz de concentrar dados que geram valor para o mercado como um todo. Acredito que essa evolução redefine a forma como os mercados se relacionam. Na prática, tenho visto consumidores buscarem cada vez mais transparência sobre os produtos que consomem, enquanto empresas procuram ampliar sua capacidade de disponibilizar dados mais precisos, atender a exigências regulatórias e fortalecer a confiança em suas marcas. Ao mesmo tempo, cadeias produtivas mais conectadas ganham eficiência ao compartilhar uma mesma referência de informação. No entanto, existe um componente essencial para que essa transformação aconteça de forma consistente: a qualidade dos dados.
Nas discussões sobre transformação digital, um aspecto que sempre me chama atenção é que o valor da informação não está apenas em sua disponibilidade, mas principalmente em sua confiabilidade. Um gêmeo digital só cumpre plenamente sua função quando é sustentado por dados precisos, atualizados, padronizados e consistentes. Por essa razão, a qualificação dos dados tornou-se uma prioridade estratégica para organizações de todos os setores. Mais do que organizar informações, trata-se de assegurar que possam ser compartilhadas, interpretadas e utilizadas da mesma forma por todos os participantes da cadeia de valor. Em um ambiente cada vez mais conectado, fabricantes, distribuidores, varejistas, marketplaces, operadores logísticos, consumidores e órgãos reguladores dependem de informações únicas, confiáveis e interoperáveis.
Essa necessidade se torna ainda mais evidente quando observamos que a utilização de dados já faz parte da rotina estratégica das empresas. A mais recente Pesquisa de Tendências da GS1 Brasil mostra que 85% das organizações utilizam dados para apoiar decisões, mas os dados relacionados aos produtos ainda representam uma parcela mínima das informações utilizadas nesse processo, indicando uma oportunidade para ampliar a qualidade e o protagonismo das informações sobre os próprios produtos, elemento essencial para iniciativas como o Gêmeo Digital.
Ao longo dos últimos anos, participando de encontros, fóruns e discussões de grupos globais sobre digitalização e identificação, tenho observado que a preocupação com a qualidade dos dados é um tema recorrente, independentemente do setor ou do estágio de maturidade digital das organizações. À medida que tecnologias como inteligência artificial, automação, internet das coisas e rastreabilidade evoluem rapidamente, cresce também a necessidade de uma base sólida de dados capaz de sustentar todo esse potencial de inovação. Afinal, a tecnologia, por si só, não resolve problemas. Sem informações confiáveis, as oportunidades geradas por essas tecnologias tendem a ser limitadas.
Na GS1 Brasil, acreditamos que a qualidade dos dados é um dos principais diferenciais competitivos. Afinal, não basta conectar produtos ao ambiente digital, é necessário garantir que as informações que os representam circulem com integridade, padronização e credibilidade ao longo de toda a cadeia. É justamente nesse contexto que os padrões globais da GS1 desempenham um papel fundamental. Ao estabelecer uma linguagem comum para a identificação e o compartilhamento de informações, os padrões permitem que diferentes empresas, sistemas e mercados operem de forma integrada. E quanto maior a capacidade de compartilhamento estruturado de dados, maior também o potencial de colaboração, eficiência e confiança entre os participantes de um ecossistema. Dessa forma, dados deixam de ser apenas registros operacionais para se tornarem um ativo estratégico para os negócios.
As organizações que compreenderem esse movimento desde agora estarão mais preparadas para responder às novas expectativas dos consumidores e atender às demandas latentes do mercado com competitividade. No futuro das cadeias produtivas, os produtos continuarão sendo protagonistas. Mas serão os dados qualificados que permitirão contar suas histórias, conectar ecossistemas e gerar o ativo mais valioso da economia digital: a confiança.
— Virginia Vaamonde, CEO da GS1 Brasil


